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Neymar joga contra o tempo em reta decisiva por vaga na Seleção

Neymar lamenta durante a partida entre Santos e Coritiba, na Neo Química Arena (NELSON ALMEIDA/AFP)

O relógio virou adversário de Neymar.
A poucos dias da convocação final da seleção brasileira para a Copa do Mundo, o camisa 10 do Santos entra em campo carregando mais do que a responsabilidade de decidir uma partida: joga também contra as dúvidas físicas que passaram a acompanhar sua carreira nos últimos anos.

O duelo diante do Coritiba, tratado por muitos apenas como mais uma rodada do Campeonato Brasileiro, ganhou contornos muito maiores nos bastidores da seleção. Para Carlo Ancelotti, não existe debate sobre talento quando o assunto é Neymar. O problema nunca foi a bola nos pés. O problema é o corpo responder na intensidade que uma Copa do Mundo exige.

Depois de uma longa recuperação e de temporadas marcadas por lesões, o atacante vive talvez o momento mais delicado de sua trajetória com a camisa amarela. Pela primeira vez em muitos anos, Neymar não chega como unanimidade. Chega pressionado, observado e cercado de desconfiança.

No Santos, a tentativa é clara: recuperar o protagonista capaz de mudar jogos sozinho. Mas o tempo encurtou. Cada partida virou uma espécie de teste final. Mais do que gols ou lances plásticos, Ancelotti quer respostas físicas e competitivas. Quer saber se Neymar suporta 90 minutos em alto nível, se consegue manter intensidade sem a bola e, principalmente, se ainda pode ser decisivo contra adversários de elite.

O cenário pesa ainda mais porque o próprio Neymar trata esta Copa como sua última grande missão no futebol. Aos 34 anos, o craque sabe que dificilmente terá outra oportunidade de liderar o Brasil em um Mundial. O sonho permanece vivo, mas agora depende menos da genialidade e mais da resistência física.

Existe também um aspecto emocional impossível de ignorar. Neymar sempre foi um jogador acostumado ao centro das atenções, mas nunca conviveu tanto com a sensação de estar devendo respostas. O país se divide entre quem acredita em sua recuperação e quem entende que o ciclo chegou ao fim. Até nas redes sociais e fóruns esportivos, a discussão virou termômetro da relação turbulenta entre o craque e a torcida brasileira.

Dentro de campo, porém, ainda existe algo que nenhum treinador consegue ignorar: Neymar continua sendo capaz de decidir uma partida em poucos segundos. E talvez seja exatamente isso que mantenha a porta da seleção aberta até o último instante.

O drama de Neymar não é mais técnico. É físico, mental e simbólico.
Porque, desta vez, o camisa 10 não luta apenas por uma convocação. Luta contra a sensação de que o tempo começou a vencer o maior talento brasileiro de sua geração.

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