Um estudo publicado na revista científica Nature Communications revelou que a introdução de uma variante exclusivamente humana do gene NOVA1 em camundongos provocou mudanças significativas no padrão de vocalização dos animais, oferecendo novos indícios sobre a evolução da comunicação humana.
A pesquisa foi conduzida por cientistas da Universidade Rockefeller e do Cold Spring Harbor Laboratory, que modificaram geneticamente os roedores para expressarem a versão humana do gene, conhecido por desempenhar um papel importante no desenvolvimento e funcionamento do cérebro.
Os resultados mostraram que os filhotes passaram a emitir sons mais agudos, enquanto os machos adultos apresentaram vocalizações com maior variação de frequência durante interações com fêmeas. Segundo os pesquisadores, essas alterações sugerem que o gene pode ter contribuído para o desenvolvimento da comunicação vocal ao longo da evolução humana.
Os cientistas ressaltam, no entanto, que os animais não desenvolveram a capacidade de falar. O experimento apenas demonstrou mudanças no padrão das vocalizações, sem qualquer indício de aquisição de linguagem.
Para os autores, o trabalho representa um avanço na compreensão dos mecanismos genéticos que podem ter influenciado o surgimento da linguagem nos ancestrais humanos e abre caminho para novas pesquisas sobre a evolução do cérebro e da comunicação.
